O verdadeiro amigo
sabe escutar
nossos silêncios.
(O. Santos)
Amizade vai,
volta
e fica sempre.
-o-
Amigo
não sabe
dizer não.
-o-
Não escolha
como amigas
as pessoas faladeiras.
-o-
Quem perde amigo
fica no mato
sem cachorro.
-o-
Conselho de amigo
prova que, no fundo,
ele tinha razão.
Os amigos homens
não devem conversar muito
com as amigas casadas.
(O. Santos)
O falso amigo
é pior do que
o inimigo sincero.
-o-
Cuidado
com o abraço mortal
do amigo urso!
-o-
Não se compra
amigo verdadeiro
com dinheiro.
-o-
Pessoas de fala macia
podem ser, às vezes,
os mais cruéis assassinos.
-o-
Abs.
O.Santos.
Dizem que homem
não chora.
Eu choro!
(O. Santos)
Mulher chora
somente quando
quer.
-o-
Uns se fazem de vítimas.
Outros são transgressores.
Todos choram.
-o-
Os artistas da tv
pingam colírio nos olhos.
Disfarçam lágrimas reais.
-o-
Palhaço que não chora
pinta lágrimas
no rosto.
Tem gente desumana
que verte lágrimas
de crocodilo.
(O. Santos)
É impossível
sorrir
o tempo todo.
-o-
Tem gente
que passa fome
e engole lágrima.
-o-
-Ahahahah!-
diz o show-man,
enxugando os olhos.
-o-
Quem não sabe chorar
grita.
Diz palavrão.
-o-
Abs.
O.Santos
Solidão.
Ô palavrinha
cri-cri!
(O. Santos)
Você foi embora.
Fiquei sozinho na cidade,
no país, no mundo.
-o-
O quarto parece maior
quando você não está
em minha cama.
-o-
A solidão é triste.
Tão triste quanto
a expressão “teje preso!”
-o-
Sem você,
meu nome é somente
um sopro.
Meu poema
sem você:
página em branco.
(O. Santos)
Você me deu seu amor.
E, de repente,
tomou-o.
-o-
Quando te perdi,
meu infinito virou
cela de detenção.
-o-
Sem você,
meu ponto de referência
é saudade.
-o-
Acabou-se diálogo.
Recito versos
para assombrar silêncio.
-o-
Abs.
O.Santos
O auto-engano de Narciso
Narciso admirava, pela milionésima vez,
Sua imagem refletida
No espelho d’água de um lago
E dizia:
- Ó, Afrodite,
Deusa da beleza e do amor
Com certeza nunca viste
Nem na Terra nem no Olimpo
Alguém tão belo quanto eu
Porém os passarinhos, ao escutá-lo,
Entre si repetiam:
- Pobre Narciso
Outrora tão belo, e atraente
Que despertava, até nas almas mais tristes
Um amor incandescente
Hoje, coitado, nem nas mais indecentes!
Pois então, de quem duvidar?
Das palavras apaixonadas de Narciso,
Que ainda acreditava em sua beleza,
Ou da sinceridade fria da natureza?
(Uma lenda esquecida
Do tempo do surgimento da humanidade
Conta-nos como um deus vaidoso
Iludia todos os outros
Mostrando-se pela imagem de um espelho
Que só refletia qualidades e virtudes
Descoberto, foi punido
E os outros deuses, por segurança,
Criaram os homens
Assim os seus defeitos
Estariam sempre retratados)
Dizem que no íntimo de cada pessoa
Há um pedacinho daquele espelho
E provavelmente era o reflexo desse espelho
E não da água, que Narciso enxergava
Tanto melhor, para ele e para nós..
(André Augusto Passari)
www.andrepassari.com.br
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