No carro alegórico

da minha solidão,

o destaque é você.

(O. Santos)

Sonhar é vestir

fantasia

e colorir confetes.

-o-

 

Quando porta-bandeira

rodopia na avenida

mostra fundo da calcinha.

-o-

 

Quando escola de samba

encerrou desfile, havia um morto

no chão, traído pelo coração.

-o-

 

Depois do adeus,

vem revolta, tristeza,

saudade...

-o-

 

Na triângulo amoroso,

o pivô do crime

sou eu.

-o-

 

Abs.

O.Santos

Haikais da morte na dupla contra-mão:

 

Na velocidade,     /     no asfalto quente,

o pára-brisa não avisa / a morte pisca-trisca

o atropelo da curva   /   e o olhar se turva.

(O. Santos)                            (O.Santos)

Amor.

Ô palavrinha

invocada!

(O. Santos)

Eu bem sei por que

você diz que me ama:

é porque é sem-vergonha.

-o-

 

Escaravelho come lixo,

estrume, fezes,

sem ver a beleza da flor.

-o-

 

Em cada ser, dois lados.

Um grita, outro se cala.

Um tenta viver, outro morre.

-o-

 

O cão, amigo do homem,

transmite raiva e carrapato.

Grande amigo!

-o-

 

Meu coração,

aos seus pés,

baba e se retorce.

Quando não me restar

mais nada a dizer,

escreverei diários na Rússia.

(O. Santos)

Licença poética

é escrever sonetos

e chamá-los de trovas.

-o-

 

Vanguarda é pegar

coisas velhas

e apresentá-las como novas.

-o-

 

Vaidade é fazer

poema ruim

e achar que ele é bom.

-o-

 

Blefe é dizer

que é uma coisa,

sendo outra.

-o-

 

No campo minado,

tudo que explode

é bomba.

Eu bem sei por que

continuo a amar você:

é porque não presto.

(O. Santos)

Todo bandido,

por pior que seja,

também tem mãe.

-o-

 

As rosas

são as mais belas.

Porém, orgulhosas.

-o-

 

No inverno,

as noites são mais longas,

e os dias, tristes.

-o-

 

A escultura,

por mais bonita que seja,

é muda.

-o-

 

A única diferença

entre homem e mulher

é o sapatinho de cristal.

-o-

 

Abs.

O.Santos

6 Hai Cais  de Eduardo Gomes:

 

Sedento estou!

Na mente uma questão,

Qual o sentido?

-x-

 

A cotovia poisa,

Num galho estreito,

Sobre gotas d’orvalho!

-x-

 

Nasceu uma Rosa,

Nasceu uma flor,

Florbela!!!

-x-

 

Há um reflexo,

Estonteante,

No anil dos teus olhos!

-x-

 

Ao vento,

Que sopra lentamente,

Seus cabelos me tocam!

-x-

 

Toco-te com palavras,

Suaves; quais plumas,

No colo do teu coração! 

-x-

 

Autor: Eduardo Gomes

Data: 29/09/2004

 

Eduardo Gomes

Celular - 55-71-8148.6350

Casa - 55-71-3356.7319

Poesias: www.egomes.com.br

Email: egomes11@terra.com.br

Os mestres que pululam

na internet

são os piores do mundo.

(O. Santos)

Tem gente que gosta

de dar pitaco

sem ser chamado.

-o-

 

Títulos nobiliárquicos

não acrescentam

nada à poesia.

-o-

 

Crianças:

pintinhos que fazem

piu-piu.

-o-

 

As ladeiras das cidades

ligam o alto das elites

aos baixios da fome.

-o-

 

Abs.

O.Santos

Não quero ser

internacional.

Prefiro ser eu mesmo.

(O. Santos)

Goste

de mim

como eu sou.

-o-

 

Matéria orgânica

mexe, remexe.

Vermes.

-o-

 

Caracol vai devagar

para evitar

que a casa caia.

-o-

 

Urubus gostam

de tripas.

Carcaça.

-o-

 

Meus versos

de 7 sílabas

são 5.

Os versos são meus.

Dou-lhes o nome

que eu quiser.

(O. Santos)

Hipocrisia.

Faça o que eu digo

sem dizer nada.

-o-

 

Ocaso não é

a mesma coisa

de acaso.

-o-

 

Quem diz que haikai

tem rima não sabe

do verso um terço.

Façam seus sonetos,

tercetos, e tudo o mais.

Deixem meus haikais em paz.

(O. Santos)

Metáfora é ver

cor vermelha no céu

e palidez no pântano.

-o-

 

Abóbada celeste.

De dia, azul.

De noite, solidão.

-o-

 

Mulher

tem M

na palma da mão.

-o-

 

Abs.

O.Santos

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