Sabes por

que te odeio tanto?

Porque te amei.

(O.Santos)

Enganar a si mesmo

é se olhar no espelho

pelo lado avesso.

-o-

 

No fio telefônico,

todas as vozes

são estranhas.

-o-

 

Macaco,

único animal

que imita gesto humano.

-o-

 

Amar

é afogar-se

em água rasa.

-o-

 

Abs.

O.Santos

 

Certas palavras

cortam mais

do que tapas na cara.

(O. Santos)

Amigo é aquele

que nos defende

até quando não temos razão.

-o-

 

Abraço de amigo-urso

sufoca e mata.

E como dói!

A mágoa constrói

portal no inferno

e cutuca o diabo.

(O. Santos)

Tem coisas

que são sinônimos

de tudo que não presta.

-o-

 

A noite se casa com a lua.

O amor é irmão-gêmeo

da madrugada.

-o-

 

Terra em que vivemos:

mãe generosa,

mas exigente.

-o-

 

Na solidão,

a palavra é silêncio

e o discurso, monólogo.

É mais vantagem

inimigo declarado

do que amigo falso.

(O. Santos)

Quem ama acende luz,

explode clarões

e termina no escuro.

-o-

  

No verão, o sol

expande calor

em corpos dourados.

-o-

 

Maio não é somente

mês das noivas.

É também mês das marias.

-o-

 

Abs.

O.Santos

 

Haikais em duplo amargo:

 

Na cara-metade,   /   Duplo disfarce:

de um lado, ovelha,  /  doce balido, às vezes,

de outro, tigre    /  ou sempre rugido.

 (O.Santos)                  (O. Santos)

 

Abs.

O.Santos

 

Sabe por que gosto

de ver você sofrendo?

Porque você não presta.

(O. Santos)

Vanguarda? Não.

Prefiro a retaguarda

da amada.

-o-

 

Caso insolúvel.

Na tessitura da teia,

perdeu-se fio da meada.

-o-

 

Há coisas no mundo

que nem Freud

sonhou.

-o-

 

Corre, cavalo ligeiro,

que lá vem

bala.

-o-

 

Primeiro, discussão.

Depois, triscas

de facas.

-o-

 

Não há nada

mais gratificante

do que ir à forra.

-o-

  

Águas turbulentas

não fixam reflexo

de belo rosto.

-o-

 

Quando visitante

foi embora, à meia-noite,

eu estava pálido.

Cobra cascavel:

antes do bote,

aviso.

(O. Santos)

Telhado de vidro

se quebra

mais rápido.

-o-

 

Quem tem

rabo preso

fica calado.

-o-

 

Quando você se zanga,

perde elegância.

Haja palavrão!

-o-

 

Na construção,

primeiro se faz

demolição.

-o-

 

Abs.

O.Santos

 

Haikais em dose-dupla

 

Alguém grita.   /  Último aviso:

-Parado aí!       /  Alto lá!

Um corpo ferido cai / e vejo máscara de sangue.

  O.Santos                                          O.Santos

 

Abs.

O.Santos

Quem diz adeus

vira página

do livro.

(O. Santos)

Cobras se juntaram

para rasgar feridas

em fétidos cobreiros.

-o-

 

Quando amanhece,

meu corpo lasso

procura o teu. Em vão.

-o-

 

Sapo faz coaxos

e se acha

o máximo.

-o-

 

Lábios de mel

ensaiam beijos

e baba escorre.

-o-

 

Pessoa sensível

não se afina

com qualquer um.

 

Pedras são brutas.

Mas podem ser também

diamantes.

(O. Santos)

Lá se vai o trem

levando lembranças

no vagão da saudade.

-o-

 

Poeta cara-de-pau.

Diz que poema é bom

e cita a si mesmo.

-o-

 

Aproxima-se

o dia da vingança.

Deixe-estar!

-o-

 

Morrer é apenas

um sinal de que

é possível voltar.

-o-

 

Abs.

O.Santos

 

 

Poesia não precisa

de autorização

para aflorar.

(O. Santos)

Na lareira, fogo.

No meu coração,

cinzas.

-o-

 

No conflito,

a corda se quebra

no lado mais fraco.

-o-

 

Inveja mata.

Despeito dói.

Gula engorda.

-o-

 

De um lado, riso.

Do outro, lágrima.

Quem sou eu?

-o-

 

Em travesseiros,

repousam/dormem

vãs consciências.

-o-

 

Libélulas

são flores

que voam.

-o-

 

No outono,

folhas espalham

histórias pelo chão.

-o-

 

Amor de abril

tem céu azul

e vasto horizonte.

-o-

 

Abs.

O.Santos

 

Quisera escrever

haikais-ideogramas.

Mas não falo japonês.

(O. Santos)

Em cada umbigo,

uma palavra pequenina:

-Eu.

-o-

 

Macaco que invade

galho alheio

está com fome.

-o-

 

Poesia

sem metáfora

é trash.

-o-

 

Papagaio bronco

só diz uma coisa:

-Curupaco-pa-paco.

-o-

 

Paraíso vira inferno

quando Eva

está vestida.

O mal do Brasil

é ter mais chefes

do que índios.

(O. Santos)

Paciência cai

do céu. O inferno

está cheio de cobras.

-o-

 

Ser criança

é dormir cedo

e não querer mais acordar.

-o-

 

No Olimpo,

o mais que se discute

é o sexo dos anjos.

-o-

 

No lixo internáutico,

cada figura bonita

é um vírus.

-o-

 

Nem toda fogueira

de papel

é poesia.

-o-

 

Abs.

O.Santos

Caríssimos.

Se a Senhora Alice Ruiz

e o Senhor Aníbal Beça

podem transgredir regras,

inaugurando uma nova

visão para o haikai,

por que eu, particularmente,

como simples mortal,

não posso?

Serei algum filho

da lavadeira?

(O.Santos)

[ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, Livros, Música
Visitante número: