Quem devasta
seu mundo interior
beija lixo.
(O. Santos)
Na terra degradada
em capitulação,
a palavra é rendição.
(O. Santos)
Cada pessoa é única.
Cada ser, original.
Todo direito, igual.
(O. Santos)
Horizonte, sol e lua
ninguém toma.
São sagrados.
-o-
Em cela, presidiário.
Na rua, explode sol.
Nem toda noite tem lua.
-o-
Dizem que flores falam.
Margarida, bem-me-quer
e girassol.
-o-
Todo mundo tem direitos:
terra, saúde, casa,
e à cartilha de abc.
-o-
Se direitos são iguais,
por que uns homens são pobres
e outros, ricos?
-o-
Abs.
O.Santos
Por trás das grades,
ainda é possível ver
réstias de sol e lua.
(O. S antos)
Não venham me ensinar
como fazer poesia.
Meu verso é abcd.
-o-
Conto letras.
Atropelo sílabas.
Encontro você.
-o-
Lado a lado
nem sempre diz
comunhão.
-o-
Abs.
O.Santos
Na primavera,
flores rimam
com odores.
(O. Santos)
Na guerra,
terra calcinada
é estéril.
-o-
Poeta não pode ser
internacional.
Tem que ser universal.
-o-
No inverno,
som no telhado
é chuva.
Borboleta
muda de cor
conforme a luz.
(O. Santos)
Poeta não tem endereço,
número de CPF
ou telefone.
-o-
Quando céu se abre,
espalha azul,
explode estrelas.
-o-
Quanto maior
a dor,
mais longa a noite.
-o-
Na escuridão,
vagalume é prova fugaz
do infinito.
-o-
Quando criança
fica triste,
está doente.
-o-
À tardinha,
cigarra canta
em agonia.
O sol se põe.
A noite avança.
Dor agudiza.
(O. Santos)
De terra, ácido e pó
faz-se a mistura
da vida humana.
-o-
Se não podem dar-me
o direito de expressão,
deixem-me pensar.
-o-
Uns gostam de samba.
Outros, de fado.
Minha canção é xaxado.
-o-
Asas de pássaros
abrem-se ruidosas
ao primeiro toque.
-o-
Abs.
O.Santos
Dentro do ônibus:
sacolas, panelas furadas,
contas a pagar.
(O. Santos)
Na viagem planetária,
a terra não é prata.
Muda para cor azul.
-o-
Turismo é sair
do torrão natal
para a terra do nunca.
-o-
Passageiros apressados:
morte súbita
a 100km por hora.
-o-
Abs.
O.Santos.
No meio da noite,
sombras são tumbas
onde dormem as almas.
(O. Santos)
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